30.4.02

Quero crer que as coisas vão ficar bem, que os pesadelos vão acabar e tudo vai voltar ao normal. Mas não consigo ter certeza disso. Daí a minha pouca vontade de falar sobre. Melhor esperar. Talvez não exista mais um motivo para existir, então.

25.4.02

Inferno! Seja parte da minha vida ou desapareça dela, mas não me deixe aqui plantada olhando pela janela. Não tenho mais com que me embriagar. E preciso dormir ao menos por duas horas para conservar o que ainda resta de vida aqui. Entenda isso. Me ajude.

Ou então me liberte de uma vez. O que eu não suporto é a angústia do não saber. É acordar durante a noite com a sensação que você está aqui. É não dormir durante a noite esperando que você chegue.

Diga a que veio, por favor. Não ponha esses olhos em cima de mim novamente como se estivesse só de passagem. Venha para ficar.

Não, eu sei que não. Porque eu não te mereço. Porque depois eu vou querer te destruir quando você disser "desculpe, foi engano". E sempre é engano.

Vai acender a maldita luz?

E se eu gritar bem alto? Será que você conseguirá me ouvir? Vai me abraçar, então?

Eu tenho medo, sabe? Tenho muito medo da escuridão que há lá fora. Ao mesmo tempo, a claridade me incomoda. Porque há certas coisas que eu não quero enxergar nunca mais.

Onde está você, menino dos olhos tristes, quando eu mais preciso que você me abrace e me beije e diga para eu esquecer dos meus problemas? Onde está você quando tudo que vejo é esse vazio? Preciso de você aqui.

Acabei de lembrar da quantidade de vezes em que eu me calei por medo. Medo de opinar, medo de agredir, medo de ser verdadeira. Porque minhas verdades são duras demais.

Carta a alguém distante
Olá, como vai você? Espero que esteja mal, depois de destruir a minha vida. Eu vou bem. Tentando não atirar pedras nas pessoas que passam pelo meu caminho. Tentando não fazer de você um exemplo de como as pessoas podem ser cruéis.
As coisas caminham como sempre. Não vejo ninguém, não ouço nenhum conselho, não tenho a menor vontade de fazer as coisas que estava acostumada. Almoçar, jantar e tomar banho são sacrifícios imensos. Na verdade, o que me falta é o desejo de continuar.
Esse desejo foi friamente assassinado pela sua capacidade de dizer as coisas erradas no momento errado. Acabar com os objetivos na vida de alguém pode ser perigoso. Você, ou melhor, o seu insucesso pode passar a ser o objetivo. Você passa a ser o alvo, entende?
Então é isso. Ainda tento enxergar seus malditos motivos para me machucar com tanta fúria. Talvez se eu entender isso, consiga não pensar em uma vingança dolorosa. Eu queria desejar que você estivesse bem. Mas na verdade eu quero que você esteja morto.
Infelicidades,
Lizzie

24.4.02

vetado

É, eu não sei mesmo lidar com perdas.

Não sei onde vou parar. Enquanto era inocente, enquanto acreditava que havia uma saída, eu podia continuar procurando. Mas agora que sei... não sei.

Eu preciso parar de ler cartas que não são para mim. Eu preciso parar de viver as vidas alheias. Preciso, preciso.

Vale a pena? Vale a pena insistir em uma busca infrutífera por anos e anos? Não, não vale. As decepções têm o poder de uma faca muito afiada.

As poucas certezas que tive um dia já foram embora. Agora eu sou um corpo jogado no mundo. Um cadáver. Porque não faço a menor questão de estar viva.

Já é tarde. Sinto sono, mas meus pensamentos impedem que eu descanse como deveria. Tento não lembrar das coisas que perdi, tento não sentir falta das coisas que não conheci, mas não tenho sucesso algum nisso. O esforço machuca.

22.4.02

Tem uma lua lá fora... e tem aquele nevoeiro em volta dela, sabe? Parece que até o céu está me observando de forma sinistra. Ou será só a minha imaginação?

E você pensa que me conhece? Não, você não me conhece. Eu não me conheço. A única pessoa que me conhece se afastou de mim por medo da minha realidade.

Não tenho mais liberdade para pensar, escrever, falar. Tudo me oprime. A sensação de ser observada me assusta. É como se eu estivesse cometendo o mais grave dos pecados, por sentir. Sentir! Eu vejo sombras em cada canto escuro da casa. Eu sinto a presença de alguém que não me fará mal... mas me assusta. Assusta porque ele me conhece, mas eu não o conheço. Eu não sei de quem me defender, nem como. Acho que não sei mais onde está o meu abrigo. E as bombas caem...

21.4.02

É tudo vazio demais.

Eu não estou aqui. Não é importante, é só que eu já abri mão dessa existência.

Mesmo que eu acredite algumas vezes em minhas próprias mentiras, tem uma hora em que a coisa toda cai como uma bomba sobre a minha cabeça. E aí eu enxergo que não dá para viver uma fantasia por tanto tempo. As máscaras são frágeis demais.

19.4.02

Talvez no fundo eu não queira pular. Apenas saber que posso já me satisfaz. Preciso decidir.

Não quero pensar no que me trouxe ao precipício. O fato é que estou aqui. E já que estou aqui, por que não pular? Gastei meu tempo na escalada. Abri mão de situações mais confortáveis para sentir o prazer de ter o controle da minha vida. Questionei o que tinha, troquei as certezas por um mundo mais livre. E o que ganhei com isso?

18.4.02

Um vazio tão grande... uma falta de sentido tão absoluta. Não, eu não estou bem. Eu quero poder jogar todas as minhas dúvidas em cima de alguém que tenha as respostas. Eu quero entender onde estão os meus motivos para continuar. Eu preciso de uma dose bem forte de compreensão. Preciso de colo, de ajuda, de um abraço.
Não agüento mais essa busca cega. Fico tateando no escuro e só encontro o vazio. E enquanto isso as vozes marcam presença, claro. Dizem que eu não vou conseguir e que o caminh para baixo é sempre mais fácil. E não tem volta. Nunca tem volta.

Eu cansei das mensagens longas que tentavam explicar o que minha consciência (eu tenho uma) diz, o que eu mesma espero da minha vida, o que me faz bem ou não. Não vejo mais sentido em justificar tudo isso. É como se as coisas viessem todas em uma série fixa, sem possibilidade de mudanças. Ao menos, sem possibilidade de mudanças sem que a essência se perca. E eu acredito que tenho que viver cada pequeno desastre que minha vida oferece.
Houve um tempo em que as drogas ofereciam as respostas. Eu mergulhava em cada viagem como se fosse a última e era feliz em "flashes". A euforia servia como consolo para a falta de compreensão que eu tinha do panorama do meu inferno.
Hoje não há consolo algum. Permaneço em uma rotina enfadonha, esperando pela "grande luz" que vai me arrebatar, me trazer de volta ao mundo dos vivos. É óbvio que isso nunca vai acontecer. Não há uma solução assim tão prática.
Revelação? Isso não existe. O que existe é o conformismo com o que é destinado a cada um e uma aparente satisfação com a capacidade de prever onde vai cair o próximo raio.

Como é que pode ser tão estranho e saber tanto de mim? Como é que pode não existir se eu o vejo? Por que ninguém mais o vê?

Preciso dormir. Ele precisa sair da minha janela, da minha mente, da minha VIDA com esses malditos olhos. Olhos de quem sabe muito, mas não quer saber de nada. Acho que ele quer a inocência tanto quanto eu.

Eu sinto e não posso sentir. Eu quero e não posso querer. Eu sonho e não posso sonhar. Isso só pode ser uma brincadeira de muito mau gosto.

Eu preciso do frio, compreende? Eu preciso sentir meus dedos congelando para saber que eles têm vida. Eu preciso sentar em algum lugar vazio e gelado, sentindo o vento no meu rosto.
O inverno é tão meu...

Esse ar meio parado me irrita demais. Noites mornas funcionam como uma injeção de desânimo (é isso mesmo) na minha vida. É tudo assim... cansativo.

Alguém aí sabe o que é dormir uma noite inteira? Não? Nem eu. É, esse inferno já dura alguns meses e eu até esqueci como é que funciona quando a gente encosta a cabeça no travesseiro e simplesmente apaga.
Malditos pesadelos que me perseguem. Todos os meus projetos afundam quando eu durmo. Todas as minhas vontades desaparecem. Eu sou o perfeito retrato de um fracasso humano quando durmo. E o pior de tudo é acordar e perceber que o fracasso é real.

17.4.02

E por que diabos eu tenho que me preocupar tanto assim com os outros? Não é assim. Não pode ser. Eu preciso me concentrar na árdua tarefa de sobreviver.

16.4.02

Por favor, alguém mande a solução para mim. Engarrafada, para tomar de 12 em 12 horas.

Não, eu não posso ser a muleta de ninguém. Mas também não posso abdicar desse papel como se não tivesse sido eu a me colocar justamente como esse apoio. Foi a forma que eu encontrei para prendê-lo e agora não posso escapar.
Mas não quero me aproveitar disso de novo.

Não, eu não vou fazer isso. Eu não posso, tá entendendo? Não posso apagar o que essa pessoa fez (e faz) por mim por conta de um capricho. Não posso ser egoísta, pelo menos dessa vez. Mas que há vontade, isso há.

Estou quase cometendo a insanidade de jogar minhas poucas certezas para o alto e começar a trilhar um novo caminho. Independente de quem possa machucar com isso. E eu sei que vou machucar ao menos uma pessoa.

Está tudo tão confuso em minha vida que não sei por onde começar a consertar as coisas. A cada momento me surpreendo com alguma novidade. Mas nunca são boas novidades. São apenas altas doses de inquietações que fazem com que eu duvide que há uma solução.

14.4.02

Não há calor em minha vida. Não há emoção, não há consolo, não há vontade. Talvez a coisa mais empolgante que aconteça seja a literatura barata. Sim, porque eu me afundo em estórias que dão certo para apagar as histórias que dão errado. É uma espécie de fuga sem muitos resultados.
Não me falta revolta, isso é verdade. Eu não me entrego ao conformismo, mas ao mesmo tempo não faço nada para mudar o que está errado. E aí são duas guerras diferentes. Para quê tentar mudar? Isso traria a decepção de ver que as coisas fogem do meu controle. E para quê me revoltar, então? É só um modo de me castigar por tudo que consegui destruir.
Não sei se um dia eu vou fazer alguma coisa de realmente útil. E também não sei se vai resolver alguma coisa. O fato é que careço de vontade para qualquer coisa. E essa vontade está muito longe das minhas mãos.

13.4.02

É difícil demais escrever alguma coisa quando todos os meus esforços estão concentrados em não pensar, não sentir, não viver. Mas eu vou tentar.
Algumas coisas estão me incomodando ainda mais por esses dias. Uma delas é perceber que não estou sendo honesta com quem mais merece essa honestidade. Que estou agindo de forma calculista quando recebo espontaneidade em troca.
Não estou sendo justa, não estou sendo limpa, não estou sendo correta. Talvez isso explique porque as coisas sempre acabam dando errado no final. Eu mereço.
É por isso que me afasto de tudo, de todos, e tento fingir que não me importo. Mas eu sinto falta, sabe? Sinto falta até das coisas que não conheço.

11.4.02

Mensagens falando de amor... mas eu não acredito mais nisso.

A cada momento as coisas ficam mais confusas. Ando me encostando nas paredes dessa casa fria e solitária. Não consigo deixar de sofrer pela má sorte que me acompanha a cada dia. E Morrissey grita que não há saída.
"And you go home and you cry and you want to die"

Eu posso te destruir com meu sentimento. Eu posso levá-lo ao inferno sem a menor intenção disso. Você me confunde e me encanta. Não se aproxime, eu já avisei.

Porque não posso dedicar-me a ninguém por inteiro. Porque até esse amor incondicional fica comprometido quando eu mergulho no meu ego embaralhado. Ah, menino, tire esses malditos olhos daqui.

O menino dos olhos tristes está sempre me olhando. Ele tem tanta dor dentro de si que tudo que eu quero é tomá-lo no colo e absorver um pouco desse sentimento. Porque eu tenho essa ânsia em carregar o mundo nas costas. Eu quero carregá-lo comigo. Por ele, eu teria forças para sair da beira do abismo e procurar um rumo.
Mas esse menino é apenas uma idéia em minha mente confusa. Eu não sei (e nem tento descobrir) se ele existe.

Eu adoro pessoas problemáticas.

10.4.02

Eu não quero recomeçar. Desisti.

Não estou pedindo aplausos. E também não preciso advertir que viver como eu é prejudicial à saúde. Entendeu?

Um dia inteiro me escondendo. De quem? Daqueles que querem me destruir. Mágoa.

Não quero elogios, não preciso de companhia, não vou comer. Não quero nada real, a não ser uma casa com um porão escuro, onde eu possa me esconder. É, é isso. É o que eu quero, o que eu preciso. Porão. Perfeito.

Eu não só me emociono como me envolvo com as histórias alheias. E, dona da verdade que sou, tento convencer quem eu gosto a não fazer cagadas tão imensas em suas vidas. Pelo menos que não façam as mesmas cagadas que EU fiz. Mas é difícil demais. Eles insistem em destruir as próprias vidas. Será que não vêem o que eu me tornei?

9.4.02

Eu me emociono com as histórias alheias. Até com as coisas irreais. Talvez por medo de viver minhas próprias histórias, eu acabo vivendo as dos outros. Mas é como um bom filme: eu assisto à distância. Mas nunca deixo de me emocionar.

Hoje é um ótimo dia para não fazer absolutamente nada. E contrariando minhas próprias expectativas, hoje eu fiz muito. Mais do que deveria. Como sempre, as atitudes erradas.

Eu me apaixono por idéias. É verdade, eu às vezes me permito fantasiar em cima de coisas que leio ou ouço, sem que isso represente uma paixão pelo proprietário dessas idéias. Tenho muito a falar sobre isso. Muito a explicar (e entender) sobre um assunto tão complexo quanto o funcionamento dos mecanismos de composição dessas idéias. O que interfere? O que faz com que determinada pessoa pense assim ou assado? Não sei. Mas sei que algumas idéias são muito mais atraentes do que outras. Química intelectual, acho.

Aquelas noites de ouvir Morrissey abraçando os joelhos, sabe? Pois é...

Onde eu estava quando você me procurou? Onde diabos eu me escondi quando você precisou de mim? Será que é por isso que eu pago tão caro, agora? Não pode ser. Essa tal justiça não funciona assim, de cara. E não foi voluntário, porra. Eu juro que não fui eu que escolhi assim! Agora solte minhas mãos.

Pensamentos pequenos, mas constantes. É isso aí. A mente como um blog. Ou um blog como a mente. Não faz a menor diferença.

Venha e me tire desse inferno. Quero voltar à vida. Alguém tem a resposta? Estou pedindo ajuda.

Não pedi sua opinião. Nem a sua. Saiam. Todas essas vozes que mal podem esperar até me ver vulnerável de novo. E isso acontece com uma freqüência absurda.

Não é culpa minha se eu só quero o impossível. Não é culpa minha se eu vivo frustrada. Seria bem mais fácil me adaptar, fingir que está tudo bem. Ou mesmo acreditar nisso. Será que eu tenho que ser punida ATÉ pelo que eu sofro?

Quanta pretensão. Se nem quando eu repito trilhões de vezes sou compreendida... Não, isso não é verdade. Já me compreenderam. E eu não gostei, porque não há nem um pingo de classe em ser óbvia.

8.4.02

Engolir meu maldito orgulho é a coisa mais difícil que já fiz. Eu poderia ser compreendida sem ter que falar claramente.

Cansei de ser forte. Cansei de não poder desabar. Cansei de pedir ajuda e ser ignorada. Eu preciso de você. De vocês.

"Converse com a sua vida e descubra onde estão os equívocos". Tá com tempo? Nem eu. Então acabou a conversa.

Alguma coisa. Eu quero alguma coisa para voltar aquele entorpecimento gostoso. Não quero reagir.

Onde estão as pessoas importantes da minha vida?

Os fantasmas ainda me atormentam. Não há uma só noite em que eu não espere por eles, com suas perguntas sempre cruéis, com seus dedos frios em meu pescoço. Não os temo, é verdade, pois convivo com eles há tanto tempo que sei que não há mal que eles possam me fazer, a não ser levar-me a reflexões indesejadas. Mas também não gosto da presença deles. E é por isso que eu odeio as noites isoladas, os locais fechados e a minha vida. Esse é o habitat deles. Eu gosto de minhas longas caminhadas ao ar livre. Eles não gostam do ar noturno.

E por que é que eu tenho que sorrir quando a única vontade que tenho é de chorar? Chorar de desespero, de dor, de medo. Qual é o objetivo de ser simpática?

Eu busco conforto nas palavras. Procuro encontrar algum sentido para esse inferno psicológico que vivo, mas a cada dia me assusto mais com o vácuo em que vivo. Não há a menor identificação com as palavras alheias. A impressão que tenho é aquela mesma, da bolha. Ou de um aquário. E não é nem um pouco gostoso me sentir assim.

Hoje nada me incomoda. Apatia absoluta. Sono. Desânimo. Pode ser um vírus, mas provavelmente é só solidão.

Eu não estou bem, eu não consigo me concentrar em nada, eu não quero conversar e também não sei o que estou fazendo aqui, escrevendo sobre esse monte de devaneios. Minha cama está desfeita e convidativa. Talvez para um sono eterno. Não acordar deve ser algo maravilhoso. Não?
Só o que salva é me afundar em Boogie Street, definitivamente a única música "doce" que eu tenho suportado escutar. E creio que essa música vai me acompanhar por muito tempo, ainda. Smiths me machuca. Siouxsie me irrita. Portishead me angustia. Então, Cohen, delicioso e reconfortante Cohen, com sua voz profunda e seu charme inegável.

7.4.02

Não tenho nada "gostável". E daí? Qual a necessidade de ser "gostável"? Por que eu tenho que ser simpática-inteligente-bonita ou qualquer outra coisa para agradar alguém? Não consigo conviver comigo. Está difícil demais.

Não tenho vontade de comer, de andar, de escrever. De nada. Só quero ficar esparramada em minha cama, pensando. Não, nem de pensar eu tenho vontade. Quero sumir. Ou algum remédio que me dê alegria.

6.4.02

Tempo ideal para me afundar em meus velhos discos e minhas novas idéias. Porque tem que existir algum motivo, por ínfimo que seja, para sorrir. Então eu estava pensando que a vida era uma merda e nada mais tinha sentido e uma porção de bobagens típicas de alguém que não se encontrou. E sabe, a vida vale a pena por alguns motivos bastante simples, como músicas que fazem (ou fizeram) alguma diferença. Hoje, a minha listinha é a que segue. São algumas músicas que eu ouço há anos e outras que conheci há pouco tempo. Eu disse "hoje" porque essa listinha deve mudar constantemente.
Então, lá vai.
* Pixies - Where's my mind
* Leonard Cohen - Boogie Street
* Morphine - I'm free now
* Radiohead - Be quiet and drive
* Stone Temple Pilots - Plush
* Portishead - Humming
Não, eu não vou começar a fazer listinhas por aqui.

Chove forte e eu não tenho a menor noção de que horas são. Não sei se há alguém em casa ou se a eletricidade que sinto no ar vem da tempestade lá fora. Ninguém me procura. Não sabem se estou viva ou morta. E também não faz nenhuma diferenca. Sou uma estranha nesse mundo e a paz é a única coisa de bom nesse quarto escuro. Na minha vida toda.

Há meses eu não sei o que é dormir. Sempre que tento me desligar do mundo real e entrar no fantástico mundo dos sonhos, alguma neurose desconhecida aparece para me assustar. E eu acordo suando, com medo de fechar os olhos de novo. Foi o que aconteceu essa noite. Senti-me sufocada entre as quatro paredes e saí para caminhar entre rostos desconhecidos.
Mas não há rostos às cinco da manhã. Só o vento frio e a minha própria solidão. Andei, andei, andei, até as pernas começarem e me desobedecer. E o dia já estava clareando, então voltei para casa e tentei dormir. Mas não consegui, então peguei um de meus velhos cadernos de confissões e li do começo ao fim.
Alguma coisas que acontecem comgio hoje são a reprodução exata do que acontecia há dez anos. Outras, não. Existem sensações novas e desconhecidas. Mas não são boas sensações.

Essa página terá uma vida útil pequena. Está me fazendo bem e eu tenho que destruir tudo que me faça bem. Porque eu não mereço.

Eu preciso andar. Preciso sentir o vento no meu rosto, preciso acreditar que há retorno desse ponto. Vou me desculpar, tentar consertar o que eu quebrei. Vou.

Por que eu não posso ser como todo mundo? Por que eu não posso aceitar tudo mansamente? Por que eu tenho que questionar os sentimentos alheios?

Pois bem. Eu cansei de ser amiga, sabe? Cansei de estar sempre disponível para consolar pobres criaturas machucadas. Cansei de compreender. Cansei de tudo, de todos. E por conta disso feri uma pessoa que amava demais. Ele me contou o que sentia e eu ouvi tudo calada. E depois eu ri. Eu ri, cacete, eu ri até as lágrimas começarem a escorrer pelo meu rosto. Eu ri porque minha vontade era chorar junto com ele e eu não podia fraquejar naquela hora. Eu nunca quis que outro pessoa que não fosse eu sentisse piedade.
Eu quero ficar sozinha. Eu não quero vê-lo nunca mais. Eu destruí a confiança que ele depositou em mim. E pude perceber a mágoa no seu rosto machucado.

5.4.02

Encontrei o que estava procurando. Eu me autodestruo para não deixar que os outros façam isso.

Eu não posso continuar. Tem alguém perto da janela. Depois...

Eu quero dormir, mas tenho medo dos pesadelos. Eles me acompanham desde que me entendo por gente, mas isso nem faz tanto tempo assim. Tenho vinte e poucos anos, mas a parte em que não estive completamente alucinada por alguma idéia idiota ou algum pensamento imerso em parcialidade foi muito pequena. E não há lucidez alguma em devaneios obsessivos.

Não quero sair daqui, não. Quando eu digo que estou oprimida, estou me entregando à autopiedade. O que quero é que o silêncio seja menos agressivo. E para isso tenho que destruir esses monstros particulares. Ah, a minha imaginação...

Isso é apenas uma experiência. Quem sabe, entende. Quem não sabe, eu sinto muito mas não vou contar. Cada um tem que viver os próprios aborrecimentos.

E subitamente, até o fundo do poço parece sufocante. Estou angustiada. Quero sair daqui.

Alguém pode desamarrar minhas mãos? E minhas idéias? Alguém pode fazer o mesmo por elas?

Nessas vezes em que eu coloco a cara na rua, invariavelmente fico procurando um rosto conhecido. Sempre o mesmo rosto. Mas não há a menor possibilidade de ver esse rosto novamente. Acabou o ciclo.

Às vezes eu coloco a cara na rua para tentar entender um pouco as pessoas com quem eu deveria estar interagindo. Não estou e não importa o motivo, mas sinto necessidade de fingir-me de viva por breves instantes.

4.4.02

Não há mais dor. Não há mais nada, mas a dor, que era uma constante em minha vida, chega a fazer falta. Porque era um sintoma indiscutível de que algo ainda pulsava em mim.

Não sei mais como usar os comandos do controle remoto da TV. Há tantos meses que não ligo o objeto que acabei esquecendo como funciona. Não tenho interesse algum na realidade. Minha vida é muito mais envolvente do que isso. Característica de pessoas obsessivas? Talvez.
O que importa é que eu perdi a vontade, entende? Não quero saber quem morreu, qual país está em guerra, quem vai ganhar as eleições ou qualquer coisa que não esteja diretamente ligada à minha vida. Eu só estou atualizada com as rebeliões da cadeia pública da minha cidade. E ainda assim, porque ouço os gritos do outro lado do muro.
Quero cultivar minha apatia.

Voltei. Era importante, mas depois eu falo sobre isso.

Depois eu volto. É importante.

Descobri que não faz a menor diferença se estou dizendo a verdade ou não. O importante é que eu saiba como dizer. A maioria das pessoas prefere as mentiras poéticas às verdades cruas.
Não, não foi aqui que eu menti. Foi na minha vida. Acreditaram na porra da imagem que eu fiz questão de criar, esqueceram que há uma pessoa que sente, sofre, chora, grita por trás de tudo isso. Uma pessoa que pede que uma mão se estenda em sua direção.
Mas eu tenho que compreender. Porque eu também me apaixono por personagens. É muito mais fácil amar alguma coisa idealizada, criar uma vida fictícia e controlar a intensidade desse mundo irreal. Só não aprendi ainda como me desligar dessas fantasias.
Ops... tem alguém aqui.

E hoje eu ouvi a história mais surreal dos últimos tempos. Tenho um amigo que está junto comigo no fundo do poço. Pedi a autorização dele para falar sobre isso aqui.
Pois bem, ele foi a um dos bares podres que costuma freqüentar na última quinta-feira e conheceu... ah, é indescritível. Vou transcrever.
"Conheci uma garota no bar, bonita, bebaça. Dormi com ela. O único problema é que eu acho que ela é puta e não me cobrou. Passou a noite inteira e não cobrou. Isso é muito triste. Ela deve ter ficado com dó de mim e fez uma caridade. Até me deu o telefone. Mas acho que não vou ligar.
Acordei na sexta-feira Santa, num hotel vagabundo do centro, abraçado com uma garota que eu não me lembrava nem do nome. E ela lá, ressonando.
Aí eu perguntei se ela se lembrava do meu nome. Ela lembrava. E ela perguntou: "Por quê? Você não se lembra do meu?" Eu falei que não. E ela me disse: "Luciana". E nem ficou triste. Veio para cima de mim e "nos amamos" novamente. Só sei que ela me deu um beijo na boca na hora que eu a deixei na Treze de Maio, onde ela disse que mora.
Ela manjava, mas não dá pra saber se era profissional. Hoje em dia, as profissionais são meio amadoras... No fundo, elas querem arranjar alguém. É difícil encontrar uma puta de verdade, que gosta da profissão.
Passei o fim de semana mal. Nem saí na sexta à noite. Só no sábado botei a cara na rua novamente."


Isso não é engraçado. É muito triste e muito lindo. Vejo dois finais para essa história: ou a prostituta se apaixonou por ele ou ficou com pena. E temo que tenha sido a segunda alternativa. Onde pode chegar a carência do ser humano... Merda.

Se algum dia eu disser que não me importo com a opinião alheia, estarei mentindo. Tudo que faço tem uma preocupação com o que vão pensar de mim, com o que isso pode gerar, com a necessidade de aprovação. É disso que quero me libertar aqui, mas ainda luto contra o impulso de perguntar "e aí, o que você acha?" ao primeiro que passar na minha frente.
Anos de submissão às certezas dos outros podem destruir qualquer pretensão que você possa ter. Eu atesto isso.

3.4.02

O que é essa tal de felicidade? É sentir-se confortável em sua própria pele, é querer falar sobre o que sente, é acreditar que não há outra forma de viver? Então eu estou feliz. Mesmo que isso me sufoque.

O telefone está tocando. Não é para mim. Nunca é. Eu não quero atender. Eu não quero ter contato com nada que esteja vivo. Eu me relaciono muito bem com esse teclado e só. Fui transportada para o inferno e o drama disso tudo é que gostei do que vi. O limbo é muito interessante, marginal, caótico e perfeito.
Quero estar aqui pelo resto dos meus dias. Quero viver cada momento das histórias grosseiras que esse lugar me oferece. Quero viver as experiências promíscuas que não permitem a reflexão, porque você precisa registrar todos os movimentos ou pode estar em apuros.
É intrigante perceber que não há um só espaço físico onde eu estou realmente segura. Basta um pensamento para que eu desça de novo. Devo me adaptar?

Ele era tudo que eu imaginei encontrar na pessoa perfeita. Tinha os olhos mais doces que alguém pode ter, sorria criando pequenas rugas em torno da boca, era dono da voz mais potente - e, meu Deus, que voz suave, delicada -, construía as frases mais completas que alguém já ouviu e se expressava com fluência ao simples levantar de uma sobrancelha.
Ele sabia sorrir no momento certo e chorar quando não havia outra alternativa. Era uma pessoa com um perfeito senso de propriedade, que estava presente nos momentos ideais e me dava o espaço necessário quando eu precisava de alguma viagem interna e solitária.
Ele era o dono da minha vida. Nossas idéias dançavam sensualmente, mesmo quando fora de ritmo. Ele me estimulava, me questionava, me completava e me satisfazia. Não existia nenhuma ressalva em nossa parceria. Era tudo mágico demais.
Bem, quis o "destino" que nosso caminhos fossem separados com violência. Segui minha vida, sempre relutando em buscar algo tão intenso quanto o que vivi com ele, porque conhecia a dor da decepção. E um dia ele voltou a fazer parte da minha vida.
A turbulência que esse regresso causou é indescritível. Em pouco mais de uma semana eu já não tinha certeza de coisa alguma, eu duvidava de minha razão e nem sei se me importava mais com essa inconstância. Porque o importante era ter aquilo de novo, era reviver o meu passado.
E mais uma vez fui aprisionada na armadilha da dependência. Construí milhares de sonhos em cima do que viria a acontecer, por um triz não joguei para o alto as minhas escolhas. Mas me atrasei. E quando enfim recuperei o controle da minha vida, ele já não estava mais aqui. "Descansava em paz", como eu já disse.
Uma análise superficial diria que eu me afundei em minha própria piedade e desisti de sonhar. Caso essa análise se aprofundasse, o cenário seria outro. Eu não me afundei, não. Só me deixei envolver por uma redoma protetora que pode ser retirada por qualquer pessoa que se arrisque a carregar o mesmo fardo que eu. Eu disse pode, né? Pode, mas não deve. A única pessoa que deve destruir a proteção sou eu. Mas não estou pronta. Há seis anos não estou pronta. Talvez nunca esteja.

Estou tão sozinha, tão confusa. Onde está a minha sanidade?

Ela me ampara quando eu não preciso, ela me abandona quando eu quero consolo. Ela costuma ater-se à superfície, nunca passa da casca, não consegue "sentir" uma situação. Ela só vê o que quer.

Ela é tão prática, tem tantas qualidades e esfrega todas elas na minha cara, diariamente. Ela é perfeita, ela não erra, ela tem todas as respostas. Ela paga as minhas contas e anota tudo isso em seu caderno de "pendências" e faz questão de manter esse registro em local bem visível para que eu nunca me esqueça da sua generosidade.
Ela dá e toma, ela faz e cobra. E isso já faz parte do meu índice de coisas a resolver. Qual a solução? A fuga ou a luta? Eu nunca soube.

Às vezes sinto saudade das coisas que perdi ou abri mão voluntariamente. Disso surge o arrependimento, a angústia do "e se...?". Aí eu penso nas coisas cuja solução está fora das minhas mãos e elas são tantas, tantas, tantas... Eu não consigo deixar de destruir tudo aquilo que é colocado em meu colo. Eu não consigo deixar de questionar as poucas coisas boas que acontecem. Eu acho que, no fundo, não mereço. E por conta disso prefiro ficar em meio ao caos de sensações que tem uma pessoa para quem a vida não vale muita coisa.

Se ao menos eu conseguisse dormir, teria motivos para brindar. O pior da insônia é que sobra mais tempo para ficar imersa nos meus pensamentos doentios.

Nas poucas vezes em que me arrisquei a colocar o nariz para fora do buraco e tentar entender o mundo, quebrei a cara. A minha família se despedaçou há mais de dez anos. Desde então, noites festivas são apenas uma desculpa a mais para ver olhos que se enchem de lágrimas ao som de John Lennon (e seu já manjado hino natalino). O "grande amor da minha vida" descansa em paz depois de uma breve estadia por essas bandas de cá. Desde então não consigo acreditar que algum relacionamento poderá durar mais que uns minguados anos antes de ser atravessado por qualquer fatalidade. Meus sonhos de sucesso estão enterrados em algum lugar do passado, esperando "a grande chance" que vai me tirar do limbo.
Existe algum bom motivo para brindar?

Essa loucura tem nome e sobrenome. CP, vamos identificar assim. CP é a "entidade" que me destrói com um olhar desdenhoso e poucas palavras bem escolhidas. Sou vítima da teia habilmente construída por CP. Ela me envolve com suas histórias de abnegação, ela manipula meu complexo de culpa. E às vezes penso que ela tem o controle dos sensores que determinam qual passo devo dar. Se há alguém capaz de me conduzir, esse alguém é ela. E eu estou sempre furiosa com minha fraqueza diante disso.

Estou trancada em meu quarto. Pelo lado de fora. Concluíram que eu não estava bem para o convívio com pessoas normais. E isso é muito sério, porque não sei até que ponto eles não têm razão. Se a masmorra fosse só o meu quarto seria mais fácil. Estou trancada dentro de mim.

Não pretendo ser coerente. Não quero mais saber da razão. Ela me sufoca, transtorna e entorpece. E eu não quero ficar presa a princípios tão restritos. Quero mais. Quero a liberdade de agir sem nenhum bloqueio. Só os loucos são felizes. Ou eram as mães? Não importa.

É... às vezes eu prefiro me fazer de cega, surda e muda.

Eu tenho muita saudade do tempo em que acreditava existir uma solução. Apenas mais um engano, mas era confortável crer que minha visão limitada era o único obstáculo a ser superado. A certeza de que é impossível machuca e destrói qualquer idéia que eu tenha sobre convivência pacífica e segurança.

Sabe aquela pessoa que mesmo quando está agonizando, dá um jeito de te apunhalar? É disso que eu estou falando.

Não, eu não vou carregar todas as culpas do mundo só porque é aniversário dela. Não vou me desculpar por atitudes que eu ainda considero corretas. Não vou fazer esse jogo nojento e hipócrita, me desculpe.

2.4.02

Esse ainda é um blog sem identidade. Mas ele vai se encontrar, espero.

Pouco importa o significado das palavras. Pouco importa a interpretação que vão dar a isso. Eu acredito que só me isentando dos julgamentos (julgamento é muito forte, acho que opinião fica melhor) vou conseguir me expressar e me entender. Talvez colocando um pouco da fúria para fora eu consiga resistir à necessidade de pedir afagos no ego por minhas posições. A aprovação não pode ser o objetivo do que faço.

Acabei de reler as frases desconexas que coloquei no alto desse blog. Tudo bem, para mim aquilo tudo faz algum sentido, mas para a maioria das pessoas deve ser muito estranho. Sei lá. Tem louco pra tudo no mundo, quem garante que não vão encontrar alguma "mensagem oculta" por trás daquela coleção de bobagens? Bah!

Ah, inferno. Começou a palhaçada dos posts perdidos. Não vou digitar de novo, tá entendendo? Não vou. Esquece. Morreu a idéia. Morreu a vontade. Fui.

Vamos aos fatos. Estou começando esse blog apenas por me sentir privada do anonimato em outros lugares. Um caderno poderia ser encontrado por pessoas que não compreenderiam uma série de coisas que sinto. Aqui, apesar dos milhares de olhos no buraco da fechadura, o controle de quem deve ou não ser julgado e condenado é todo meu.
Por que a necessidade de anonimato? Porque nem sempre sou uma boa garota. Porque não estou disposta a expor meu pensamento sem me proteger. Não das críticas, mas da utilização indevida de informações particulares. E chega de justificativas, pelo menos por hoje.

Fiz o que pude. Ainda preciso melhorar essa imagem (que está sem definição nenhuma) e tirar o raio do sublinhado dos links. Toda vez é o mesmo inferno. Se eu fosse webdesigner, acho que já teria dado um tiro no cu, de tanta incompetência junta.

Lá vamos nós para a orgia dos layouts...