5.5.02

Estou cagando para o que pensam de mim. Principalmente os que não me conhecem. E aqueles que me conhecem, bem, se não podem me compreender, então devem sair da minha vida.

Tenho alguns amigos. Pessoas que estão sempre em algum canto da minha vida. Contatos reais e virtuais, conversas divertidas, apoios irrestritos. Mas é inegável que o que me move a manter essas amizades é um interesse pelo que elas podem me oferecer. Okay, isso é a base para qualquer relacionamento. Entendo isso muito bem. Tudo é interesse, no fim das contas. O que eu não posso aceitar é que mesmo quando há esse interesse, eu perco a vontade de dividir, de me entregar e ser acessível. Prefiro o meu pedestal, ainda que ele carregue a minha solidão.

As pessoas são descartáveis. Saber disso me assustou por muito tempo. Eu não entendia como todos podiam ser tão interessantes por alguns momentos e depois podiam se tornar tão aborrecidos. Pensei que o problema estivesse em mim e comecei a questionar se eu não seria a mais descartável de todas essas pessoas. E acho que sou, mesmo. Não tenho nada a oferecer. Sou egoísta. Não sei me dedicar à compreensão humana e costumo usar a expressão "foda-se" com uma freqüência absurda. Eu não me importo, mesmo.